A doçura de Zenilda Silveira explora novos mundos com a cadeira de rodas

Zenilda Silveira tem 43 anos e mora em um sítio em Viamão com os pai, Antônio (88 anos) e a mãe Loemy (78 anos). Mas a família não para por aí, Zenilda tem mais quatro irmãos: Eni de 55 anos, Ezio, 53 anos, Edison, 52 anos e Gildomar de 46 anos. Em memória, Zenilda carinhosamente lembra a “mana” mais velha de todos: Ivani, que teria 58 anos hoje.

Depois de ler a primeira matéria da nossa Série Superação, com o Leonardo Salles, Zenilda quis contar a sua experiência. Conheça neste segundo post da Série Superação um pouco mais sobre a história de Zenilda, como ela e o irmão Gildomar enfrentam a distrofia muscular e os meios que ela encontra para levar sua vida com alegria!

Dificuldade para descobrir a Distrofia Muscular

Nós já falamos sobre a distrofia muscular na história do Leonardo. Os caminhos para a descoberta da doença se assemelham, pois Zenilda também passou por dificuldades para obter um diagnóstico preciso. “A princípio foi bem complicado, ninguém sabia o que nós tínhamos. Meu irmão e eu costumávamos cair muito e seguidamente não tínhamos forças para levantar”, relata Zenilda.

A família teve de se deslocar para Porto Alegre para tentar descobrir a doença. “Fiquei um ano indo de médico em médico e fazendo exames e mais exames, todos tinham resultados bons. Até que alguém indicou um médico na PUC. Daí, meu irmão e eu baixamos lá e ficamos dias fazendo mais exames. Até que fizeram o exame das agulhas, o qual dá uns repuxos que medem a força muscular e foi aí que descobriram a Distrofia”, explica.

O diagnóstico dos irmãos veio junto com a notícia de que a doença não tem cura e de que a dupla deveria fazer fisioterapia para ter uma melhor qualidade de vida. Desde 1988, Zenilda e Gildomar fazem fisioterapia uma vez por semana em Porto Alegre.

A vida no sítio

Para quem pensa que a vida no sítio é só sombra e água fresca, está enganado. Uma das funções de Zenilda no sítio é cuidar da parte burocrática em relação a papéis e documentos. “Sou uma espécie de secretária, um lembrete humano. Quando tem de fazer isto ou aquilo, lembro os membros da família”, explica Zenilda.

Como seus pais já estão em idade avançada, Zenilda também cuida da medicação deles. “Eu que me encarrego de comprar e aplicar os remédios nas horas certas a eles”, conta. Viver em um sítio possibilita que a família crie animais. Neste quesito, Zenilda também coloca a mão na massa para ajudar a família. “Alguns animais são de minha responsabilidade. Ajudo na lida com os patos, por exemplo. Eu os prendo à tardinha”, expõe Zenilda. Já o irmão Gildomar, que também é cadeirante em função da distrofia muscular, cria galinhas e garnizés.

A união da família faz tudo funcionar como uma engrenagem. A irmã Eni trabalha no sítio com a família durante o dia. Já o irmão Edison também mora no sítio e cuida da família à noite e aos domingos, quando é a folga de Eni. O irmão mais velho Ezio chega do trabalho e leva Zenilda ao banheiro e depois para a cama.

Tumulto mesmo ocorreu quando Zenilda teve um namorado. “Sem muito apoio da família a convivência foi bem difícil. No fim ele desistiu e tudo voltou ao normal…”, lembra Zenilda com certa tristeza por ter perdido seu amor, apontando que este é o seu único incômodo.

“Não ter um amor é meu único incômodo. O resto é resto! Não reclamo de estar em uma cadeira de rodas, aceito bem a minha condição” – Zenilda Silveira.

Liberdade com a cadeira de rodas motorizada

Zenilda conta que antes de ter uma cadeira de rodas motorizada não saía de dentro de casa. “Aqui no sítio o terreno é de chão batido e as cadeiras comuns não andavam nem na areia. Já faz uns 18 anos que o médico nos disse que existia uma cadeira que andava sem que alguém precisasse empurrar. Corremos atrás e enfim conseguimos! Agora não sobrevivo sem minha cadeira de rodas, ela é parte de mim!”, diz Zenilda.

Há 28 anos Zenilda faz fisioterapia uma vez por semana, sempre às quartas-feiras. “Sempre brinco com o motorista da saúde que nos leva para a fisioterapia: ‘se o carro pegar fogo, primeiro salva minha cadeira e depois eu, pois nada sou sem ela!’ (risos)”, revela Zenilda sobre a importância da cadeira de rodas motorizada em sua vida.

A família não tem um automóvel para se locomover, dependendo de amigos para passearem e desbravarem novas experiências. Recentemente ela pode conhecer o mar e tomar banho de piscina.

“Conhecer o mar foi muuuuito legal! Quando a cadeira flutuou na onda foi uma sensação maravilhosa de leveza e liberdade ímpar!”- Zenilda Silveira.

Poemas como forma de expressão

Um dos passatempos de Zenilda é escrever. Inclusive, ela já participou de um livro de poemas e contos. “Eu me meto a escrever”, explica Zenilda.

Hoje Zenilda escreve de vez em quando, mas a prática teve início ainda na adolescência. “Na época eu precisava de algo para expressar meus sentimentos, pois me tornei deficiente bem na adolescência. No rigor da criação criança não tinha opinião e eu tinha de colocar para fora meus sentimentos, daí comecei a escrever. Mas escrevia, lia e relia, picava e botava fora!”, relembra Zenilda. “Até que anos depois me tornei mais dona de mim, digamos assim. Comecei a participar de concursos culturais e consegui participar de alguns livros”, conta a poetisa.

Zenilda atribui à chegada do amor do namorado a força que a fez tornar-se mais dona de si. “Foi através do amor dele que eu me senti mais forte, como se eu pudesse muito mais do que antes, quando eu me provava e até me limitava bem mais do que realmente tinha”, expressa.

Dica de Superação

“Não se entregue às limitações e nem aceite que te digam ‘tu não podes’. Creia! Tu podes, talvez não consiga sozinho, mas ninguém consegue sobreviver sozinho independente de condição física. Plante o bem sempre, pois assim nunca estaremos sós em nossa caminhada”- Zenilda Silveira

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